Entre janeiro e setembro de 2026, Minas Gerais contabilizou mais de 243 mil acidentes de trânsito, marcando um crescimento de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de fatalidades também subiu, com 1.534 ocorrências fatais registradas, 50 a mais do que em 2025, conforme dados do governo estadual.
Histórias de vidas perdidas
Um dos casos trágicos foi o de um motociclista de 25 anos, que faleceu em abril após colidir com uma caminhonete na BR-356, em Belo Horizonte. Ele trabalhava como piloto de aplicativo e havia se casado um mês antes do acidente. O motorista da caminhonete, que apresentava sinais de embriaguez, se recusou a realizar o teste do bafômetro e foi preso em flagrante, mas conseguiu a liberdade provisória na Justiça. Enquanto isso, a família do jovem aguarda respostas sobre o caso e relata a sensação de impunidade, como expressou o engenheiro civil Kleynner Jardim, familiar da vítima.
Causas comuns de acidentes
A especialista em segurança viária, Jacqueline Alves, aponta que o comportamento dos motoristas é um dos principais fatores que contribuem para os acidentes. Entre as práticas perigosas, destacam-se o uso do celular ao volante e o excesso de velocidade, que reduz o tempo de reação e agrava as colisões. Além disso, motociclistas enfrentam maior vulnerabilidade devido à exposição durante a condução.
Casos recentes de fatalidades
Outro trágico acidente ocorreu no final de março, envolvendo um casal que se dirigia ao trabalho de motocicleta entre Sete Lagoas e Inhaúma. Ana Maria Silva Cruz, de 44 anos, e José Orlando de Souza, de 56, perderam a vida após serem atingidos por um carro. Ana Maria deixou sete filhos, incluindo crianças de 5 e 9 anos. Segundo a família, a perícia indicou que o motorista do carro estava em alta velocidade e invadiu a contramão.
A filha de Ana Maria, a psicóloga Ariane Cristina da Silva, informou que o condutor foi indiciado por homicídio culposo, mas os familiares discordam e desejam que ele seja responsabilizado por homicídio com dolo eventual. Ariane expressou a dificuldade enfrentada pelas crianças em compreender a perda: “É muito difícil para uma criança, para um adolescente, entender que não tem mais a mãe. Não foi por uma doença, não foi por algo que a gente se preparou para despedir dela. Ela foi arrancada da gente”.
Esses dados e histórias ressaltam a urgência de medidas mais eficazes para a segurança no trânsito, visando proteger vidas e evitar que mais famílias passem por situações semelhantes.








